segunda-feira, outubro 11, 2004

A Palavra da Horda

Deve ter sido usura de minha memória, não vejo outra explicação para tão grave lapso e saiba o bloggueiro que tenho me esforçado a dois meses e nada de me lembrar do nome daquele filme.

Já procurei pela Internet e nada de achar o nome. Pensei até em consultar os maiores especialistas de filmes de ficção da SOCABA, Mauro Katinguelê ou Pedro de Greenville, mas não tive oportunidade de falar com os confrades.

O enredo deste thriller norte-americano é simples, acompanhe-me:
O mundo sofre um ataque biológico e todas as pessoas acabaram se tornando zumbis esfomeados que atacam de noite, porque à luz do dia, esta horda fica escondida. A luminosidade incomoda esses humanos doentes. O personagem principal mora numa super mansão com suprimentos e armas para se proteger.

Esses monstros humanos têm um líder que a todo o momento está bolando planos para atacar a casa. Cabe ao personagem fugir. No fim do filme aparece o ator, dirigindo seu Mustang vermelho pelas desertas ruas de Manhattan ao entardecer e o som das criaturas.

Tudo bem normal para um filme de ficção da década de setenta, mas por coincidência, hoje percebo que vivemos essa realidade.

Sendo bastante explícito: andando pelo bairro da Freguesia, tenho percebido um aumento de casas com “grades eletrificadas”, com “dispositivos de luz” que ascende automaticamente assim que passamos perto das portas gradeadas. Assim que fui “iluminado”, me lembrei imediatamente deste filme.

Fiquei refletindo se as hordas bestializadas do filme são os excluídos socialmente, e o solitário personagem nada mais é do que uma alegoria do homem contemporâneo que vive em seu mundo consumidor - a individualidade elevada ao absurdo – consumindo os bens de serviço – No filme os funcionários são invisíveis e a única ameaça é a horda; os excluídos.

No filme, a horda vai sofrendo baixas consideráveis, seja levando tiros, pisando em minas terrestres até perceber que a luz pode ser suportada e a casa conquistada, cabendo ao personagem fugir pra cidade deserta – que na verdade está infestada de hordas também.

Será que essas câmeras e esse sistema de luzes que ascendem e apagam nos condomínios também não serão ultrapassados? E quando os bestializados reais começarem a se organizar pra atacar em massa a idéia de mansão? E afinal de contas, em qual grupo estaremos? De uma coisa é certa, esse é um filme, que na minha opinião, conseguiu registrar um tempo futuro (o nosso) e o agravamento social do século XXI.
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