quarta-feira, julho 21, 2004

Moto-contínuo

Se é eficaz proibir garupa em moto para coibir a violência, deveríamos também proibir o carona no carro. Assim evitaríamos os bondes e os seqüestros, relâmpagos ou não. Ou não?

Decidi tocar nesse assunto depois de ouvir o Arnaldo Jabor na GLOBO FM dizendo, enfático como só ele, que a proibição das garupas em motos era uma medida que deveria ser tomada porque deu certo na Colômbia. Alias, na Colômbia, onde há três estados paralelos (o governo, as Farc e a direita paramilitar), a proibição se restringe às motos de baixa cilindrada. Ou seja: quem tem R$ 40 mil ou mais para comprar uma moto pode levar a carona que quiser. Lá, a proibição da garupa em motos é parte de um toque de recolher, obviamente imposto apenas à parte mais pobre, que também impede a colocação de películas nos vidros dos carros (insul-film), a circulação de menores de noite, e impõe a lei seca, entre outras medidas.

É fato que a violência é crescente e o medo é enorme. A moto também é usada, sim, em crimes (embora eu não tenha conseguido as estatísticas do uso de motos em roubos, furtos, assassinatos etc. Alguém aí pode me ajudar?). Nesse panorama, a proibição da garupa passa a ser simpática aos mais apressados. Há quem pense: o mal que a proibição fará será menor do que o bem. É fácil dizer isso quando a pimenta é nos olhos dos outros. Restringir direitos individuais não pode ser fácil assim.

Um dos passos talvez seja exigir que a Lei em vigor seja cumprida. Roubar motos é proibido e os crimes com motos  são cometidos com motos roubadas. Sem veículos irregulares circulando nas ruas (não parece óbvio?) os crimes diminuiriam. Lembro-me de um comandante do 31º BPM (Recreio) que explicou bem essa lógica. Uma das medidas prioritárias para aumentar a segurança na Barra era o patrulhamento da Avenida das Américas. Segundo o policial, evitando-se o roubo e a circulação irregular de carros (ele nem citou motos...), os índices de criminalidade diminuiriam. Em apenas um dia de operação da polícia (16 de março), foram apreendidas 546 motocicletas na região metropolitana, medida que não restringe direito algum, pelo contrário.

Não dá para aceitar medidas restritivas que só prejudiquem as pessoas de baixa renda. Se houver proibição da carona em moto em nome da segurança, não há explicação para permitir a carona em carros. Mas alguém ousaria proibir os bacanas de circularem nos seus modelo quatro portas, blindados e com películas nos vidros?

PS: Imagine o Diários de Motocicleta sem o Che na garupa... A moto é um veículo maravilhoso.

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