terça-feira, junho 15, 2004

Sotãos & Clarabóias


Por Reynaldo Valinho Alvarez

saúdes gamboas providências santos cristos
as alfamas matratadas do rio
do rio escuro se perdendo nas fezes da baía
as casas pintadas de amarelo ocre azul presépio rosa shocking
tudo visto dos viadutos da presidente vargas
o lado direito amputado da presidente vargas
o lado esquerdo de concretos aparentes
a zona prostibular confinada entre tapumes
as mulheres da vida de calcinha e sutiã
os veados e cafetões muito avacalhados
a cidade enricou inchou apodreceu
os apodrecidos de outrora serão exterminados com antibióticos
agora é o tempo de neuróticos psicóticos
já não há hemoptises na calçada
o tempo é de pico nos mictórios sórdidos dos botequins
as pessoas estão se matando nos banheiros dos bares e boates
há quinze anos de lixo na corcunda dos adolescentes cansados
enquanto as joaninhas os camburões da swat desfilam na visconde de pirajá
é pra já esse fim de mundo
o apocalipse o armagedom
o juízo final
os mortos levantando de seus túmulos fedidos

onde andarão os sótãos os porões as claribóias
onda andará o povo sentado à noite na calçada
quem esqueceu de fazer as limonadas de outrora?


Livro: O Sol nas entranhas - de Reynaldo Valinho Alvarez
Premio status de poesia brasielira - São Paulo: Ed. Três: 1982
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