segunda-feira, maio 15, 2006

13 de maio


O que foi aquilo que está ocorrendo em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, essa onde de violência que podemos definir com Barbarie!

Quais as reais dimensões desta onda de ataques com 73 mortos em apenas um final de semana? Quais os responsáveis por isso? Os governantes, este nosso sistema? A elite hipocrita? Acho que o texto de Alberto Costa lá de Pernambuco discute estas qestões.


Quem paga por isso?



Os acontecimentos dos últimos dias em São Paulo me deixaram estarrecido. Para os que estão fora daquele inferno fica a impressão de um grande medo. Enorme medo e insegurança. Impressão não. Melhoremos: realidade. Vai mais além dos sentidos, está no corpo crivado de balas de um bombeiro militar, profissional instruído para fazer o salvamento de todos aqueles que se encontram em perigo, até mesmo de um bandido da pior espécie.


Hoje pela manhã comecei a fazer minhas reflexões sobre este episódio vivo, pois como todo bom nordestino, também tenho família na região. Nisso, lembrei-me daquele caso do ator da globo que foi pego comprando maconha na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, o professor Afrânio. Lembrei-me também de uma entrevista de um traficante explorado pelo sensacionalismo televisivo de dois anos atrás. Um dos srs. do tráfico afirmava que aqueles que pagam a conta das drogas estão no Leblon, em Ipanema; e eu acrescento, em Boa Viagem, na praia do Futuro, em Maragogi, em Florianópolis, em cada ponto caro do litoral brasileiro.


Pois bem, a foto ridícula de um personagem de um dos programas mas sem sentido exibido pela globo, um "professor" do interminável seriado malhação, estava lá comprando o seu fuminho, numa boca bem grande da favela da Rocinha. Poderia ser outro, como de fato já aconteceu no passado com o Marcelo Antony. Não precisamos lembrar de outros atores da "grande" emissora de TV do Brasil.


O ponto onde quero chegar pode não estar no "x" da questão para milhares de pessoas levadas pelo vício e pela cruenta fome de poder consumir e poder definir o destino de pessoas simples como do bombeiro Alberto da Costa, que por sinal, tem o meu nome e sobrenome. O que adianta carinhas bonitas fazerem questão de promover campanhas pela paz, se no fundo, na calada do dia e da noite buscam o movimentado mundo do tráfico para pôr reais nas mãos de criaturas de uma periculosidade acima da compreensão humana?

O que deve estar passando pela cabeça daquele ator que no mês passado foi preso na boca de fumo? Será que ele não está pensando como muitos outros?


- Os meus canais estão bloqueados, onde posso encontrar a minha amiga "maria joana" pra ficar legal?


E assim continuam a movimentar e a enriquecer um quinto estado, ou estado do medo com o dinheiro podre da chamada classe média alta. Classe que não quer entender as mazelas do povo, a miséria de milhões passando ao largo de suas realidades. Não estão ligadas para essa realidade. Não interessa e pronto.


Gostaria de terminar minhas reflexões olhando daqui de Pernambuco o desespero da mãe e da mulher do bombeiro, que em pleno dia das mães ganharam um presente nefasto, os restos mortais de um filho, de um marido. Além de outras dezenas que velam agora os corpos de seus familiares, fruto da barbárie que toma conta de São Paulo, como de outros estados. Gostaria também de olhar o povo trabalhador que movimenta, e isso sim é que é o bom movimento, o movimento de uma das maiores cidades da América Latina, que faz crescer o Brasil e que dá dignidade a massa: trabalho honesto, sem essa de drogas, sem essa de medos. Pessoas simples, hoje impedidas de viver decentemente, num estado de sítio imposto por uma facção criminosa de mãos dadas com uma minoria consumidora, que vive no ópio e vira as costas para o povo brasileiro.


José Alberto Costa. Recife, 15 de maio de 2006.
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