segunda-feira, março 21, 2005

E aí gALLera



Nossa peculiaridade lingüística com Portugal não é por acaso, fruto da colonização dos séculos XV e XVI, o Brasil é um imenso território onda a Língua Portuguesa é o idioma oficial - que muitas vezes é confundido pelos norte americanos desavisados, achando que falamos espanhol e nossa capital é Buenos Aires.

As gírias e sotaques foram se multiplicando a ponto de haver diferenças profundas com o idioma falado em Lisboa ou outra região da Península Ibérica e entre o Brasil com suas características próprias.

Exemplos dessas diversidades lingüísticas foram marcantes no período da literatura brasileira modernista com os nossos clássicos regionalistas Érico Veríssimo do Rio Grande do Sul, os termos nordestinos de Graciliano Ramos, o neologista espinhoso de Guimarães Rosa.

Hoje, exemplos de gírias e expressões que poderíamos citar são: pocô capixaba, a prenda gaúcha, o piá curitibano, o aproxêgo nordestino, o trem mineiro, os desencanos paulistas e a galera carioca.

No caso específico do Rio de Janeiro, lembro de estar em um chat com um legitimo português morador de Lisboa. Conversa vai... conversa vem, quando pergunto:

- Como está a galera aí de Portugal?

Instantaneamente sou meio ridicularizado, se pertenço a algum tipo clube de navegação, afinal de contas, galera no dicionário Houaiss significa: "uma antiga embarcação longa e de baixo bordo, movida a vela ou a remos, que servia tanto a marinha de guerra quanto a marinha mercante."

Nada disso. Galera em "carioquês" fluente significa multidão, aglomeração, grupo de pessoas, etc...

Luis Gravatá, colunista do caderno Info ETC do Jornal O Globo, achou uma forma inteligente e criativa de grafar a gíria, colocando dentro da palavra uma expressão inglesa. Criando então gALLera que sintetiza inglês e português dentro da mesma expressão.

Será então que deveríamos adotar o gALLera de Gravatá pra designar a expressão carioca? To be or not to be? O que está em jogo é a nossa vocação norte-americana, lusitana ou carioca mesmo? Não sei.

Lembro de um antigo programa da década de 80 da Rede Globo que transmitia shows ao vivo da praia do Pepino em São Conrado. E o nome do tal programa era Misto Quente. Mas a forma gráfica era o sanduiche de queijo e presunto no meio da palavra Misto (de mistura) que acabou virando MIXTO de Mix americano. De lá pra cá, é comum vermos a palavra escrita com o X.

Certo ou errado, essas possibilidades e mudanças podem alterar profundamente o significado e a compreensão de que a galera comeu um misto quente.

Penso no brasileiro do século XXIII tentando compreender como um barco comeria algo inexistente? Sei lá. Mas se for pra criar, quero incluir a designação para o nativo do Rio de Janeiro.
Sou mesmo é caRIOca, assim mesmo, com o Rio no meio.
E aí Gravatá??? Gostou???
PS: Imagem retirada do site: http://www.museum.navy.ru
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