terça-feira, setembro 21, 2004

A arte de andar de moto pelo Rio

Desde que João do Rio escreveu A Alma Encantadora das Ruas (1907), talvez desde antes, flanar pela cidade rende textos e visões maravilhosas da cidade. Sobre duas rodas, sob um capacete que dava outra luz ao sol, pude aproveitar o vento, a temperatura, o verde da serra Grajaú-Jacarepaguá. E lá de cima, a vista da Zona Norte, que, dependendo das condições de temperatura e da qualidade do ar, se estende até Teresópolis, como sinaliza o Dedo de Deus.

Fluí entre carros e buracos pela Teodoro da Silva até perto da Mangueira. Meninos lavavam pára-brisas e motoristas aflitos faziam não com as duas palmas das mãos abertas. Só dez centavos, pediam eufemisticamente. Parado, com ou sem eles ali, eu procurava antever qualquer abordagem nada poética de todos os lados. Meus retrovisores me ajudavam na função: Flanar pelos dias de hoje requer cuidado.

Cheguei quase naturalmente à Praça XI. Turistas tiravam fotos da Passarela do Samba. Qual visão eles devem ter do carnaval?

Tomara que um dos bons escritores dos dias de hoje, como Joaquim Ferreira dos Santos, Paulo Lins ou tantos outros, escrevam um dia sobre a arte de andar de moto pelo Rio.

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