sexta-feira, maio 13, 2005

Poesia na Babilônia


(...) Valeu Zumbi,
hoje tem Quizomba
É na ginga do samba, que eu vou
Pode aplaudir que o Anil chegou (...)

Samba enredo de 2005 do G.R.E.S. Unidos do Anil

Sei que ontem tive uma insônia; inquietação daquelas que nos fazem ir de um lado para o outro da cama, nada mais propício pra ler ou escrever um poema. Realidade, baianidade, disponibilidade de tentar unir o útil ao agradável?? Não sei.

Tendo um livro de Wally Salomão pude criar e recriar um poema para o dia 13 de maio, remissivo a Lei Áurea; A Escravidão implementada pelos portugueses, continuada pela nossa elite; com todas as suas verdades; com todas as suas mazelas na sociedade brasileira. Uma tentativa de ligar ao passado-presente.

Meu imaginário contemplativo do busto de Zumbi, com minha caixa de guerra no carnaval e uma incursão policial ou de invasão nos Macacos hoje na ensolarada tarde da cidade do Rio de Janeiro. Parece que tudo se encaixa, tudo se coincide.

O Morro em atos estanques
Por Renato Motta

Hoje subverti-me em Gullar
Subversivo em surrealismo do excluído
E a retina desfoca e enfoca como o olhar do camaleão
Os quatro cantos do complexo morro
Mortes estanques dos meninos xerifes da bike
“E as armas e os barões assinalados”
São marcados
Na dura realidade, a léguas e léguas da poética de Camões
E se Camões, se caminha...
Morro
Saylor Moon, Salomão!!!!
Cadê o poeta tropicalisticamente baiano?
Num momento estoura o estampido no tímpano do ouvido.
Fiquem atentos e em alerta
Pois em cada beco e viela
Qual foi? Quem viu?
É assim que se caminha na favela.
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