terça-feira, janeiro 28, 2003

Bocage


Sou um admirador e fã deste poeta maravilhoso, graças a sensibilidade de Fernando Vilella que, como autor e ator montou e, 1998 um espetáculo sobre Bocage, selecionando sonetos como este. Veja a radicaçização da paixão neste soneto fantástico:


A frouxidão no amor é uma ofensa,
Ofensa que se eleva a grau supremo;
Paixão requer paixão; fervor, e extremo;
Com extremo e fervor se recompensa.

Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença!
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;
Em sombras a razão se me condensa.

Tu só tens gratidão, só tens brandura,
E antes que um coração um pouco amoroso
Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.

Talvez me enfadaria aspecto iroso,
Mas de teu peito a lânguida ternura
Tem-se cativo, e não me faz ditoso.

Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
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