segunda-feira, novembro 04, 2002

O Posto


Sonia Rodrigues esteve em Olinda e paletrou sobre a pratica de se produzir textos. Depois solicitou que cada um escrevesse uma carta de amor. A minha ficou desta forma:


Naquele fragmento de segundo, enquanto embarcava para minha viagem, foi
quando percebi o relance de teu intenso olhar, me penetrando, me devorando
de longe, mexeu comigo.

Não sei teu nome, qual a tua idade, signo ou gosto, somente que trabalhas
numa farmácia de um posto de gasolina da BR 116.

Quando relembro o meu percurso de trinta e oito longas horas no ônibus
que vem do Rio de Janeiro para Recife, de noite mal dormidas, só me fixo
naquele instante, no meio do sertão da Bahia, onde teu olhar acompanhado de
um sorriso misterioso que me cativou.

Poderia ser uma flor o teu nome, Camélia, Florinda, ou mesmo Rosa, graças
a graciosidade de seus gestos.

Ou como dissimulas, tal qual uma estrela o faz, Estela, Luana ou Vênus.

Sua alma, vista aos olhos de fadas poderiam ser a essência do teu nome
Maria, Morisa, Adélia ou Morgana.

Sozinho em meu quarto, vendo o trepidar nervoso do ventilador, percebo a
angústia de um encontro não concretizado, apenas o fragmento de teu olhar me
vem na lembrança arrebatando-me.

Não sei ao menos se esta carta chegará ao seu destino, a ti, misteriosa
musa da beira da estrada de Milagres na Bahia. Muito menos se irei te
rever, mas escreva pra mim vai?
Aguardo anciosamente tua resposta

Milhoes de beijos apaixonados

Um Admirador

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