quarta-feira, abril 05, 2006

Estalando as palmas

Desde criança estamos acostumados a bater palmas, o estalar das mãos em movimentos compassados para expressar uma série de momentos.

No mínimo em cada ciclo de 365 dias, acontecem as festas de aniversário onde o grande climax é cortar o bolo de aniversario, mas antas canta-se o parabéns ao ritmo das palmas.

Ritmo também é a forma dos capoeristas, nas suas aulas, mistura de dança, luta e resitência dos escravos que hoje é praticada em diversos espaços públicos e privados sem distinção social.

O estalar das palmas acontecem de forma muito comum nos morros e favelas entre crianças e jovens. Mas o ato que observei é peculiar, repetido em síncope, numa sequência de estampidos secos que em nada representa aniversários, celebrações ou na prática da capoeira.

Não! Este estalar reproduz o estampido das armas - neste caso as pistolas dos traficantes iguais em intensidade, timbre e ritmo.

Crei ser este um fato antropológico por ser inerente a maioria das crianças do morro, é geral por não ter restrição nos espaços - reproduzido nos pátios das escolas públicas, ruas, vielas e quadras. É assustador por ser comum, por ser uma brincadeira que tem o misto de divertir e assustar, pois reproduz o som dos disparos destas armas de fogo mais comum entre os traficantes.

Durante a guerra constitucionalista de 1932 em São Paulo, foram utilizadas as matracas, aparelhos que na guerra tiveram efeito moral. Elas reprduzem o som de metralhadoras no sentido de enganar os inimigos.

Hoje existem observo centenas de "matraquinhas" no morro tendo como referência o tráfico de drogas. Uma elemento que compões este mosaico de informações sobre o trafico de drogas nas favelas do Rio de Janeiro.

O intuito deste post, veja bem meu caro blogueiro, não é o de uma ação pública contra o direito das crianças de baterem palmas, mas simplesmente constatar socialmente um fenômeno real dentro das dimensões da exclusão social. Apenas uma crônica social!
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