domingo, março 23, 2003

Sessão Cine Clube


A Estação Odeon, em conjunto com a BR distribuidora (a mesma Petrobrás que patrocina o Mengão) resgatou um antigo hábito dos cinéfilos cariocas da década de 60, o CINECLUBE.
Esse ritual consta em exibir filmes fora do grande circuito e ao final da sessão promover um debate entre os espectadores. Resgatando os áureos tempos da Cinelândia, de um Rio antigo charmoso.

Ontem, por motivos climáticos - a chuva torrencial no Rio de Janeiro - acabei indo parar dentro do Cine Odeon e assisti o filme da Sessão Cineclube.

O SORGO VERMELHO é chinês de 1987 e foi o vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim de 1988 e impressiona por ser uma obra de arte, filmada em Cinemascope, tendo as cores vivas e vibrantes.

O Diretor é Zhang Yimou (mesmo diretor do filme Lanternas Vermelhas, dentre outros).
O filme é maravilhoso para historiadores, sociólogos e apreciadores do cinema alternativo, mas aborda a questão das relações sociais na China, a violenta ocupação japonesa, a resistência e a ideologia comunista.

Ao final da sessão, o convidado para promover o debate foi Walter Carvalho (diretor de fotografia de filmes como: Lavoura Arcaica, Terra Estrangeira e Abril Despedaçado).
Carvalho interpretou a linguagem das imagens nos diversos momentos do filme, apontando a sensualidade que transmite, sem mostrar alguma cena de sexo, as dificuldades e a tecnologia utilizada pelos cineastas chineses com alguns episódios curiosos.

O Baco da China
O Sorgo é uma vegetação, matéria prima para a produção do vinho da região na província de Shandong no norte da China.
O filme se passa nos meados das décadas 20/30 contando a história de uma jovem noiva Jiuer prometida a um leproso dono da vinicultura.

O que me impressionou foi como acontece a produção deste vinho artesanal. Assim que os primeiros litros do néctar sagrado sai destilado, todos os trabalhadores (cerca de 7 homens) param pra fazer uma oração ao Deus do Vinho, inclusive mostrando uma pintura deste Baco chinês.
A oração é uma música que fala, dentre outras coisas, que o vinho cura tosse, dentre outros males e principalmente venerando a entidade. Ele é reverenciado e ao final, todos bebem uma tigela grande do vinho, como um agradecimento divino á bebida (a tigela é enorme).
Não me contive e gritei na sala escura - "Babilônia Irmãos!!!"
O mais interessante é que quando o vagabundo Zhanao, em protesto, urina dentro das cubas de vinho. O resultado, curiosamente, é que o gosto do vinho fica ainda melhor.
Não contive minha vontade de provar daquele néctar sagrado que tem alto poder de combustão.

Detalhe também pro cangaceiro chines Três Tiros, que lembra em muito Lampeão.

Vocês, babilônicos blogueiros assíduos e cinéfilos não podem perder.
Deixo a boa dica para quem não assistiu, por ser um filme de 5 estrelas, que vale a pena ser devorado, degustado assim como um bom vinho.

Quem estiver no Rio, a programação da SESSÃO CINECLUBE continua neste mês, e serei pessoinha fácil de encontrar lá.
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