terça-feira, janeiro 24, 2017

Aqui Jaz Grafite - Pobre São Paulo


Antes


Depois

No sábado (14), o atual prefeito de São Paulo, João Dória, vestiu óculos de proteção, máscara e avental para apagar os desenhos de uma mureta da 23 de Maio usando um motocompressor.

A atitude do atual prefeito de São Paulo em mandar apagar a maioria dos grafites que coloriam a cidade de São Paulo é de uma violência sem igual.

De acordo com alguns periódicos, as grafitagens da 23 de maio representava um dos maiores murais abertos do mundo.

Afinal de contas, por que o PSDB fez isso? Qual o motivo desta destruição toda?

O projeto político vitorioso na prefeitura de São Paulo representa, no grosso modo, a volta de um projeto elitista, no qual as comunidades ficam efetivamente de fora.

Nada mais midiático e representativo para a classe trabalhadora paulista ao ver seu representante vestido de gari e ter varrido cinco minutos uma calçada, ou tê-lo visto iniciando a destruição das grafitagens.

É uma certa elite dizendo que a Cidade de São Paulo é dela, que agora a territorialidade da capital paulista não terá mais espaço para a grafitagem,

Vestido de gari, o prefeito diz didaticamente, de forma subliminar, a forma como ele varrerá da cidade este lixo (na sua concepção).

E dá um recado para os trabalhadores da prefeitura, esses pobres, pretos, pardos, garis, como é que ele deseja que as ruas, muros, calçadas seja limpos.

A maldita herança escravista em sua plenitude adaptada a nova ordem.

A leitura sobre essa atitude do prefeito é muito clara e em poesia

Aqui Jaz Grafite
Por Renato Motta
Apagaram os grafites daquela cidade grande...
Mas o que queriam mesmo era:
Apagar os sonhos,
Apagar a criatividade,
Apagar a liberdade,
Apagar a multiplicidade
Apagar uma manifestação cultural,
Apagar uma estética de rua,
Apagar as cores...
Apagar o que se via..
Apagar a resistência,
Apagar a utopia...

Só que tem uma coisa prefeito...
Sonhos não se apagam
Criatividade não se apaga
Cores não se apagam...
Manifestação Cultural não se apaga
Elas ficam latentes...
Mesmo reprimidas...
Mesmo repelidas
Elas transpiram
Escoam pelos poros da carne
Buscam sua válvula de escape
Panela de Pressão...
Eclodem em milhares de cores e sabores...
Explosão...
Eis que um dia a panela arrebenta
Revolução...

A luta... só está começando...

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