sábado, setembro 13, 2003

Tijuca


Dizem as más línguas que a Tijuca é a São Paulo carioca. Sei do tom pejorativo desta afirmação e rebato de forma categórica ao estilo João Kleber: "O que, que, o que, que rapááá..."

Nestes dias passei pelo bairro e acabei bolando uma teoria temporal. Minha linha espistemológica parte do principio de que, O homem, só percebe que faz muito tempo que não visita um lugar quando as salas de cinema se transformam numa drogaria, numa magazine ou mesmo numa igreja protestante.

No caso da Tijuca, isso ocorreu simultaneamente com os únicos três cinemas da região. Confesso que senti tristeza em ver o antigo Cine Palácio. Suas linhas arquitetônicas se espelham no movimento modernista da década de 50, o ambiente luxuoso com volume e de tamanho gigantesco valorizava por dentro o cinema. Mas hoje os locais foram ocupados com o coração e o lema da Universal do Bispo Macedo.

Lembro que assisti bons filmes nestas salas, mas hoje só temos os cultos. O bairro, neste sentido, não chega nem perto da diversidade cultural de São Paulo.
Esses fatos aproximam sim, a Tijuca com Villar dos Telles, Nova Iguaçu ou mesmo a Praça Seca, lugares que não tem muitas coisas além de lojas, bancos ou drogarias.

A Tijuca... essa sim... perdeu um pouco mais o seu charme, para o reflexo globalizante da cultura dos Shopins Centers
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