terça-feira, abril 07, 2009

Domingo em Jaboatão

No domingo fui convidado a fazer um programa muito interessante. Foi
uma trilha por dentre as entranhas de Jaboatão dos Guararapes,
municipio que faz parte da região metropolitana do Recife. Poderiamos
chama-la de A TRILHA DA USINA À MATA

Começa no centro de Jaboatão e passa pelo lado da Usina Bulhões - que
tem desmatado sistematicamente a quela região, provocando desastres
ambientais no Rio de Jaboatao (que por sinal dá nome a cidade).

Alias, naquele domingo - onde os fiscais publicos e os responsaveis
por atuar qualquer tipo de ação contra o meio ambiente, estão
descansando no domingo (eram umas 7horas da manhã), a usina despejava
aquele caldo que acaba com o meio ambiente, conhecido como vinhodo.

Aquele cheiro de alcool (cachaça) bem forte se espalhando no ar.
No rio, presenciei o desespero de muitos peixes tentando respirar e
dezenas de milhares boiando mortos.
Vi por dentre as palafitas, nas margens do rio, crianças com redes
pescando os peixes agonizando - provavelmente a refeição daquela
familia com bastante soda caustica dentro dos peixes. Uma face cruel
da miséria.


Depois, seguimos vendo os lagos onde são despejados esse caldo. Cinco
grandes depositórios de desolação e do fim da vida.

Passamos por dentre um canavial enorme - durante quase uma hora - até
chegarmos numa reserva de mata atlântica.
A paisagem ali muda, vira vida, cruzamos por dentre uma mata densa -
colhiamos aruá (um tipo de goiaba pequena) azeitona (jamelão), vi a
planta de dendê brotando em cores vermelhas.

No final desta trilha um grande presente. Um lago que está preservado,
que ainda não teve o vinhodo despejado, onde podemos nadar, ver os
peixinhos ao nosso lado, amenizando o calor da Zona da Mata
Pernambucana,.

Enfim, essa trilha termina, tendo que voltar pro canavial, no outro
lado deste vale, e vendo ao longe o processo de queimada da area em
que ja foi colhida a safra de cana da Usnia Bulões.

Recordei que são 500 anos de queimada, desde o tempo dos engehos até
os de hoje - das usinas.
E a terra... essa insite em dar vida... em gerar brotos de cana... que
serão, neste ciclo vicioso, a queimada do amanhã.
É a mão do homem destuindo o planeta em conta gotas.

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