segunda-feira, novembro 20, 2006

A Voz Negra de Palmares ecoando no Brasil


Hoje foi feriado no Brasil. Um feriado denomiado Dia da Consciencia Negra.

Decretado pelo Presidente Lula, tornou-se feriado oficial nos Estados do Rio de Janeiro, Alagoas e Amapá; e nas seguintes cidades: Cuiabá (MT), Juiz de Fora (MG), além de Campinas, Hortolândia, Rio Grande da Serra, Jundiaí, Sorocaba, São José do Rio Preto e Santa Bárbara d’Oeste (todas do Estado de São Paulo).

O primeiro municipio a decretar como feriado foi no Rio de Janeiro, em 1999.

A data de 20 de novembro refere-se ao ano de 1695, no Brasil Colonial, ano em que Zumbi dos Palmares foi assassinado.

Zumbi foi um dos líderes do Quilombo dos Palmares, o mais conhecido núcleo de resistência negra à escravidão no país.

Em 1692, o bandeirante paulista Domingo Jorge Velho, uma espécie de mercenário da época, comandou um ataque a Palmares e teve suas tropas arrasadas. O quilombo foi sitiado e só capitulou em 6 de fevereiro de 1694, quando os portugueses invadem o principal núcleo de resistência, a Aldeia do Macaco.

Ferido, Zumbi foge. Baleado, ele teria caído de um desfiladeiro, o que deu origem à história de que teria se suicidado para evitar a prisão. Resistiu na mata por mais de um ano, atacando aldeias portuguesas. Em 20 de novembro do ano seguinte, depois de ser traído por um antigo companheiro, Antonio Soares, Zumbi é localizado pelas tropas portuguesas.

Preso, Zumbi é morto, esquartejado, e sua cabeça é levada a Olinda para ser exposta publicamente. Entre outros objetivos, o de acabar com os boatos que corriam entre os negros escravizados do litoral de que o líder quilombola era imortal.

Por isso: nada como resgatar o grito do Gremio Recreativo Escola de Samba Vila Isabel que em 1988 fez um verdadeiro hino na Marques de Sapucaí com o hino Kizomba, Festa da Raça. Contra as injustiças e os preconceitos sem procedentes que aconteceu e ainda acontece, inclusive no Brasil.

Kizomba, Festa da Raça
Composição: Rodolpho / Jonas / Luís Carlos da Vila

Valeu Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terras céus e mares
Influenciando a Abolição
Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jogo e Maracatu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Ô ô nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô ô Clementina
O pagode é o partido popular
Sarcedote ergue a taça
Convocando toda a massa
Nesse evento que com graça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa constituição
Esta Kizomba é nossa constituição
Que magia
Reza ageum e Orixá
Tem a força da Cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Valeu
Valeu Zumbi
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