segunda-feira, setembro 09, 2002

Jpa - 480 anos


Hoje, é o aniversario de Jacarepaguá, nome tupy que significa "lagoa rasa de jacarés" em função das 3 grandes lagoas de um dos maiores bairros do Brasil.
O bairro que já passou por diversas transformações, teve grandes engenhos de cana de açucar, como o Engenho D´agua, dentre outros, hoje já está cmpletamente transformado.
Grandes áreas de matas, hoje umas pequena parte ainda está preservadas nos morros que fazem parte do Maciço da Tijuca de alguns bosques como o Bosque da Freguesia, dentre outros.
De monumentos históricos, destaque para a Igreja da Pena e do Loreto, ambas construidas no século XIX, por algumas fazendas que possuem a mesma estrutura históricas e do aqueduto que fica na Colônia Juliano Moreira e que se parece com os Arcos da Lapa.
Hoje a especulação imobiliária é grande, um boom de crescimento populacional, mas Jacarepaguá ainda é um lugar incrível.

Expresso Opinião



Um projeto? Um passa tempo? Um espaço para reflexão? Uma revista eletronica? Um caldeirão de opiniões?

Acho que é tudo isso junto. Acho que vale a pena dar uma conferida no EXPRESSOPINIÃO - A Revista eletronica mais recente.

Torre de Babel




Para dar maior autenticidade a concepção da babilonia, no sentido literal, temos uma nova pessoa neste espaço BABILONICO que é:
Pessoal, impessoal, impressão virtual, digital por onde passo e observo o mundo.
Viviane Mariano, arquivista e historiadora é a mais recente colaboradora que permitirá dar outras opiniões sobre o que está acontecendo de Babilonia pelo Brasil.
Causos, histórias, poemas, eventos babilonicos, opiniões. Seja bem vinda Imperatriz.

domingo, setembro 08, 2002

Triunvirato Rubro-Negro
Babilônia Irmãos Rubro-Negros !
Que semana, einh ?!?! Que Quarta-Feira foi essa que passou ? Cinco !?? Eu disse CINCO ?!?!
Pois é, a alegria de ser rubro-negra está nessas "pequenas"coisas !
A rodada foi perfeita, todos os times cariocas perderam. E nós, comandados, pelo mestre Evaristo, demos um show de bola e animação na arquibancada. Sem contar que o baixinho, declarou definitivamente o amor dele pela nação Rubor-Negra chutando aquela bola no travessão ! Que delícia !
Bom, mas aqui no BabBlog não vou comentar só sobre futebol, vou contar meus casos de Jaguatirica Balzaquiana !!!
Ihhhh, não vai sobrar espaço para os meninos :) !
Aguardem, Vivi - babilonicamente conhecida como Imperatriz.

sábado, setembro 07, 2002

Caxias


Amanhã terá o tradicional encontro na maravilhosa feira nordestina de Duque de Caxias-RJ
Quem acha que vou perder a oportunidade de rever meus amigos confrades da SOCABA, Everaldo, Renato Cebola, Pepinho, Chico Araripe e Barbara?
Aproveito para levar o CD de Santana para apresentar ao Francisco.
Babilônia

quinta-feira, setembro 05, 2002

Flamengo


Na segunda passei pelo Clube de Regatas do Flamengo e me encontrei com a Clicea que tirou uma foto minha e da Melba dentro da Sala de Troféus do clube.

Amuleto



Flamengo joga amanhã eu vou pra lá
Vai haver mais um baile, no Maracanã
O mais querido tem Rubens, Dequinha e Pavão
Eu já pedi pra São Jorge, pro Mengo ser campeão

Longe do Rio fica difícil ser amuleto, mas ontem estive nos arredores do Maracanã.
O resultado não poderia ser melhor - Flamengo 5 x 2 Fluminense.
Tão bonito ver Vila Isabel enfeitada de torcedores com a camisa do Flamengo.
Estava com a minha e deu sorte.

Pois é, o campeonato pode até estar meio esquisito, mas tenho certeza que quando o Flamengo enfrentar o
Corinthians e o Vasco, jogos que ainda estão por vir, será emocionante.
Tem coisas que só o Flamengo proporciona:

Por sorte encontrei na mesa do bar Rio 40 Graus, os meus confrades da SOCABA.
Carlinhos Geléia, Pedro de Greenville (ambos tricolor) Cristiano (Flamengo) e Mauro Katinguele (Botafoguense)
A cada gol, eu e Cris comemorávamos muito.


!!!!Hoje o Brasil acordou mais feliz.
Flamengo ganhou no Maracanã!!!!!

Recordações


Ahhh que saudades.
A casa daqui de Jacarepaguá tem um problema grave.
O fluxo do esgoto é complicado.
Hoje meu programa matinal foi desentupir o esgoto.
Recordações de passar o dia limpando a fossa, literalmente.
Babilonia pura.

quarta-feira, setembro 04, 2002

Os Vermes


O que seria uma grande sorte?
Ver uma grande personalidade passando pelo Rio
Ahhh já constatei, amanhã o historiador italiano Carlos Guinzburg, autor do livro O queijo e os Vermes e grande idealizador da Micro história, Ele estará dando uma palestra gratuita na Biblioteca Nacional.
Estarei lá, com certeza, mas terei que correr para pegar a senha.
Veja a programação do seminário no site da BN.
Fui....

268


Na segunda de noite, depois de dar uma passada no Clube de Regatas do Flamengo, fui até o Centro e peguei o tradicional 268 que faz o percurso do Centro até Jacarepaguá.

O que me impressionou foi que lá em Vila Isabel, uma blitz da PM parou o onibus, e foi revistando pessoa por pessoa, inclusive eu, que antigamente nem era revistado.

O guarda que comandava a operação foi gentil, pedindo sempre com delicadeza para a cooperação.
Após a revista, ele pediu sugestões aos passageiros sobre o melhor trecho ou horário para uma posterior operação. Desde que moro em Jacarepaguá (1977) nunca houve algum assalto.

Mesmo assim, depois de ser despertado de meu soninho no onibus, elogiei o trabalho.
Acho que realmente está havendo uma preocupação do governo em reprimir a violência e o tráfico no Rio.
Isso nunca apareceu na televisão, mas para quem mora na cidade, isso é vital, para que ela nunca deixe de ser.
A cidade maravilhosa.

terça-feira, setembro 03, 2002

Rio de Janeiro



Percorrer os estados do nordeste, fatiga, noites mal dormidas, e entrar pelo Rio de Janeiro no dia 31 de agosto por Teresopolis.
Festa do Claudio Motta, meu irmão, virginiano, festa em Jacarepaguá.
Música dos anos 80, muita cerva, vinho, refrigerante.
Chuva fina, molhado ensopado, frio intenso.
Pereceber o susto das pessoas que não sabiam de minha presença no Rio.
Rever os amigos meus muitos amigos da vida, da SOCABA, os parentes, pais.
Quanta saudade, a festa superou qualque expectativa.
Que seria fundamental não fazer a homenagem minha a todos.
E que semana intensa que terei.
Amo vocês.
Que babilonia.

quarta-feira, agosto 21, 2002

Horário Político



Começou oficialmente hoje o horário político gratuito eleitoral nas rádios e tv,s (o que está comprovado que o contribuínte paga bem caro esta conta). Serei um assíduo deste programa, porque pérolas de interpretação, frases que soam de ridículas, engraçadas, ou sdimplesmente marcantes. Ontem lembrei de algumas.

Meu nome é Enéeeeeeeassss - Enéas Carneiro - candidato a presidencia - 89


Isso TEEEM que acabar! - Nelson Nerru - candidao a deputado no RJ - terminava seu discurso com esta frase e dando com um porrete na mesa.

Vai dar zebra, repitam comigo, Vai dar Zebra - Carlos Imperial candidato a vereador - RJ e colocava ao fundo a zebrinha que falava no domingo o resultado dos jogos de futebol da loteca. Era o seu símbolo.

O pê, pê bê é você - Voz grave de Sargentelli no programa eleitoral.

Não esqueçamos dos singles

222, duzentos e vinte e dois. Super Helinho, pra senador - Helio Fernandez - Candidato a senador - RJ

Lula lá, brilha uma estrela, Lula lá, valeu a espera, Lula lá, meu primeiro voto, pra fazer brilhar nossa estrela - Inesquecível campanha de 1989, Lula

Placas e out doors - encontrei na Paraíba a seguinte pérola:

Um tostão, contra um milhão - Vote Falcão - Candidato a Deputado Federal pela Paraíba

Gostou? Lembrou de outra? Então deixe nos comentários em seguida.

terça-feira, agosto 20, 2002

Só Ele



Vi em Maceió, João Pessoa e aqui em Recife, até o passante mais destraído já deve ter visto uma propaganda, peculiar em quade todos os postes da cidade.

São Paulo e Rio
Só 110
3241-8019
Só Jesus salva


O que chama atenção, além do preço estar abaixo do que os das empresas de transporte rodoviário interestadual, é a frase que fica no fim do cartaz.
Não identifiquei se este é o nome da viação, ou se é apenas a devoção dos administradores reforçado no cartaz.; mas uma coisa é certa. Ficou explícito que passagem barata, Só Jesus salva.
A viajem?
Seja o que Deus quiser!!!

Em tempo: Liguei e descobri que a partida para o Rio de Janeiro sai apenas na sexta-feira, com previsão de chegada no domingo. Acho que não poderei viajar com a Só Jesus salva.

quinta-feira, agosto 15, 2002

Ilha do Amor



Tudo se transforma, nada se cria
Na televisão tudo se copia


Buscando algum lugar para jantar, e tendo como tormento duas aftas terriveis na minha língua, tive a ideia de tomar uma sopa, nada que violentasse minha íngua na língua. Sopa, carne, cebola ou peixe? Escolhi a carne, para ter alguma sustância - confesso que o caldo de cebola tava meio feio. Mas vamos ao meu prato de 1,50 Reais.

Lá estavam o dono do estabelecimento, ao meu lado e mais um terceiro na outra extremidade do proprietário. Notei timidamente aquelas figuras mas fiquei no meu canto, preocupado em devorar aquele prato com menos dor possível.

O bar (que se propõe um restaurante, mas que fica no meio termo de tudo), fica no início da Rua do Sol, perto da praça, de aspecto simples com um balcão aberto, e uma meia dúzia de bancos fixos.
A pequena televisão a nossa frente passava a novela das oito, e que logo seria pivot, de assunto, pelo dono do Bar

-A televisão só está passando porcaria... É big bródi, é esperança, e o limite.

-Pior mesmo é a Ilha do Amor. O Silvio pega 12 casais, bota os homens num lado, as mulheres do outro. E coloca doze mulheres em cima dos caras. - disse o segunda cabra

Enquanto tomava meu caldo de carne, irritado pela irritabilidade em minha afta, resolvi intervir para finalizar aquela conversa.

-Na verdade ele está copiando, tem um programa igualzinho na TV a Cabo - Tentacion Island , é tudo imitação - Sem dar muita atenção ao que falei, o cabra continua dando os créditos todos ao dono da emissora.

-Além disso o Silvio faz uma festa e filma o que os homens fazem com as solteiras e depois passa para as mulheres verem. Aí ele vai filmar o que as mulheres vão fazer com os solteiros.

-É mesmo? - diz o dono do bar - Que absurdo.

-É sim - responde o outro - É uma galha só - e caem no riso todos nós.

-É a ilha da Galha - termino me rendendo e reforçando aquela conversa- A Ilha da Galha!!

Mas os dois ignoram minha tentativa de participar da conversa, talvez por minha insistência em ser inconveniente mesmo.
Meio desconcertado, pago a conta, e vou pra casa dormir.
O melhor a fazer é sonhar com a minhas ilhas, praias, sem ser peça de um realityshow








terça-feira, agosto 06, 2002

Terra Xukuru


Esse texto a seguir foi retirado do Jornal Diário de Pernambuco, 01 de agosto de 2002. Estive presente nessa coletiva editando o texto do Diário.


O deputado alemão Wolgang Kreissl-Doerfler - ligado às questões indígenas e dos Direitos Humanos no Mundo - esteve ontem em Pesqueira para ouvir os índios Xukuru.
O parlamentar trabalha com a questão indígena no Brasil desde 1979, quando acompanhava o povo Tuxá, na cidade de Rodelas, em Paulo Afonso.

Integrante do Partido Social Democrata alemão, Wolfgang Kreissl-Doerfler atualmente integra, em seu País, as comissões de
Agricultura, Desenvolvimento e Assuntos com países da América Latina.

Alemão cobra verba destinada a índios

O Deputado Wolfgang Kreissl-Doerfler disse que Governo brasileiro terá de explicar aplicação de recursos O Parlamento Europeu quer saber onde e como o Governo brasileiro aplicou os R$ 60 milhões
de euros - o equivalente a R$ 192.811.200,00 - destinados à demarcação de terras indígenas nos últimos seis anos.

O parlamentar veio ao Estado para acompanhar de perto os procedimentos tomados pelas autoridades do País, que estão ligadas às questões indígenas, e conversou com a Imprensa no Centro Luiz Freire, em Olinda.

Segundo ele, somente 30% dos terrenos desapropriados foram demarcados em todo o Brasil.

Na região de Pesqueira, apenas 21 donos de fazenda foram indenizados até agora, o que não chega a corresponder a 10% do total das cerca de 300 propriedades existentes na área.

O deputado informou que enviará ofícios para a Presidência da República, Procuradoria Geral da República, governos dos estados e para a Funai. Ele teme que o problema possa interferir no acordo global com os países do Mercosul, que está sendo negociado com a comunidade européia. "Um dos pontos principais da pauta de discussão é a questão dos Direitos Humanos. As instituições ofereceram muita assistência financeira e não estão tendo um retorno com isso. Estamos bastante preocupados com a lentidão dos processos de demarcação de terras".

O parlamentar disse ainda que o povo europeu também questiona como são produzidos os produtos exportados e vendidos no Exterior. "Não queremos comprar produtos originados do
sangue da população", ressaltou. O deputado não descartou a possibilidade de as entidades alemãs suspenderem o envio da verba ao Brasil. "Se verificarmos que esses recursos não
foram investidos corretamente, com certeza vamos cancelar o convênio", advertiu. Segundo ele, o dinheiro enviado pela Alemanha e comunidade Européia deve ser aplicado em projetos
na área de saúde, educação e habitação nas áreas indígenas.

O vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário, Saulo Feitosa, aproveitou para denunciar que a maioria do dinheiro europeu foi aplicado em terras localizadas no Estado do
Amazonas. "O que houve foi um favorecimento às empresas de grande porte como mineradoras e madeireiras, que atuam na região do Amazonas", disparou.

CIMI critica Policia Federal

Durante a reunião no Centro Luiz Freire, em Olinda, integrantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) voltaram a acusar a Polícia Federal de agir com truculência nas investigações do tiroteio ocorrido na semana passada em Pesqueira.

A advogado Rosane Lacerda disse que estranhou o fato de a PF querer interferir em questões que somente dizem respeito à tribo, como as eleições do cacique. Rosane afirmou que a definição do comando dos Xukuru só pode ser feita pela própria organização social. "Ninguém mais pode se meter nisso, nem o presidente da República", afirmou. Segundo ela, a comunidade indígena
reconhece apenas um cacique, que é Marcos Luidson.

Por isso, a advogada acredita que a PF deveria se retratar publicamente. Rosane denunciou que o delegado Marcos Cotrim - designado para investigar o assassinato do índio Chico Quelé,
no episódio ocorrido na semana passada, na Fazenda Lagoa de Pedra, onde os índios teriam trocado tiros com posseiros - não estaria conduzindo os trabalhos de forma correta. "Ele
colocou índios contra índios, ao invés de recolher as cápsulas espalhadas pela área da fazenda", falou.

Rosane diz que houve violação da Constituição Federal e dos tratados internacionais, que cuidam da questão do índio. "Quem recebe salário para andar armado e defender os índios é o
delegado", afirmou.

segunda-feira, agosto 05, 2002

Maratona Babilônica.



Seria possível haver uma maratona babilônica? Sim...
Fui protagonista disso, mania minha de não ser caseiro.

Vamos aos dados concretos
Quinta-feira - 25 de agosto - Roda de Poesia na praça da Preguiça - Olinda-PE - Rolou Pitu, Montila e Bacardi
Sexta-feira - 26 de agosto - Sala de Reboco com forró Pé de Serra - Recife-PE - Pitu Cola - Coca, com pinga inustrializado pela Pitu.
Sábado - 27 de agosto - Blues e Rock de Rogê no Patio de São Pedro - Recife-PE - Cerveja e Cana do Pau do Indio
Domingo - 28 de agosto - (uma ligeira dor de cabeça) Mar e Piscina na Casa de Sueli -Jaboatão-PE - 3 caixas de latinha.
Segunda - Um 29 de agosto - descanso da bandalha
Terça-feira 30 de agosto - Terça negra no Patio de São Pedro (maracatu, afoxé, etc..) - Recife-PE - cerveja e vinho
Quarta-feira - 4@s literárias no Centro Luiz Freire - Olinda-PE - Celebração com cerveja nos Quatro Cantos da Pitombeira.

Fala serio, hoje vou é dormir bem cedinho, porque no final de semana tem mais, mas claro, tomando cuidado para não ter uma cirrose epática.
E Babilonia para todos.

quinta-feira, julho 25, 2002

Babilônia de Inverno


Nos próximos três dias as cidades históricas de Ouro Preto e Tiradentes se transformarão na sede de inverno da Sagrada Ordem dos Cavaleiros do Bar. Eu e meus confrades socabenses Chico Araripe, Everaldo, Pepinho, Cebola e Barbrão estaremos em Minas curtindo o Festival de Inverno. Desnecessário dizer que a bandalha será regada a muita cachaça e torresmim mineiro. A festa SOCABA quando termina!

Ê trem bão, sô!

quarta-feira, julho 24, 2002

Tudo começou quando....


Texto elaborado durante a oficina de leitura do Centro Luiz Freire.
Por Renato Motta


Tudo começou quando me perguntaram qual é realmente a origem do mundo, ou mesmo do universo. Sei não, tantas foram as influencias em minha vida que não sei ao certo se estou certo ou errado, mas não posso negar. Sou brasileiro e por isso tenho algumas certezas (eu acho).

Nascido e criado no Rio de Janeiro, urbanidade sempre presente e constante, mas uma paixão pela natureza, o mar, as estrelas, o luar....
Esses por sinal muito bem explicados e fundamentados pelo meu velho pai, conhecedor e dono supremo da verdade, aos olhos de criança, os meus - que até hoje estão presentes e são reflexo de minha realidade.

Ele, meu pai, com a sua formação em biologia, explicava-me, com um brilho nos olhos, o processo de fotossíntese, o comportamento animal e seus mimetismos, ou mesmo a origem da vida e do universo.

Átomo, explosão - um ato do átomo em re particularizar em partículas do universo infinito da grande explosão.

Ahhhhh, verdade essa, que nunca quis contestar, porque os indícios científicos são absolutos e nunca tive o mínimo de interesse de querer confirmar, até porque não sou um adepto de foguetórios, bombinhas, ou outros artifícios explosivos que o ser humano criou há muito tempo atrás, naquelas bandas orientais que hoje está convencionada como China.

Talvez isso reforce, inclusive, que durante a minha infância não gostava muito de ir ao Maracanã ver os jogos do Flamengo porque aquela barulheira me incomodava, assustava profundamente. São João então era terrível.

I tempo foi passando e o meu tempo de escola informava a todos da turma que era Ateu, e com a maior garantia do mundo, explanava sobre a origem da teoria do mundo.
Meus colegas mais versados em comunhões diversas, passavam a me bombardear e me empurrar por goela abaixo os princípios dogmáticos – A existência de Deus, do Céu, etc... – Que inferno (figurativo mesmo), meu sofrimento era intenso, quantas brigas tive. Algumas bastante exaltadas.

Na adolescência e fase adulta, comecei a amadurecer essas idéias, através da minha curiosidade. Resolvi que teria que conhecer algumas.
Fui a todas as igrejas ao meu alcance, mas devo que confessar que esse não era o centro de minhas prioridades, enquanto jovem.

Na Batista, curti as músicas, na Universal dramática, a católica (casamentos) era monótona, a Carismática longe de mim, na Umbanda não fui porque (devo confessar) tinha um medo terrível de um santo encasquetar comigo e resolver baixar em mim. Na Cardecista encontrei um ambiente harmônico, envolvendo explicações beirando o científico e o sobrenatural, com presença de espíritos de outros mundos, como acreditava neles, freqüentei algumas sessões.

O curso de história na UFRJ revirou minha cabeça e lá fui eu me identificar com as idéias de Marx e seus fundamentos de luta de classe, com a minha realidade, onde uma minoria, exclui a maioria, contribuindo para uma sociedade individualista, oprimidas pelo sistema, e a religião tendo o papel de alienar o povo – e promovendo o Pannis et Circencis

Enquanto isso, fui sendo alvo, de visitas na porta de minha casa, geralmente nos domingos às 8 da manhã, onde senhoras e jovens tentavam me convencer a comprar umas revistas que falavam de família, ou mesmo do apocalipse, do fim do mundo, etc... A função delas era me salvar.
Ouvia a tudo atento e com meus olhos inchados de sono da festa, do dia anterior. Alem disso às vezes inventava de debater e sempre recebia outros argumentos mais radicais sobre Deus. Nunca comprei nenhuma daquelas revistas, mas sempre ganhava uma delas. Acho que como premio de consolação por ter promovido um debate profundo sobre a minha condição de agnóstico. Revistas essas que nunca li.

Depois que vim para Pernambuco, tive contato com os povos indígenas, vendo toré, as danças, o sincretismo, as lutas, os ritos, a força de cada povo. Percebi que eu era carioca com avós gaúchos e uma bisavó Índia (minha mãe fala muito).
Talvez ela fosse bugrina ou seja, Guarany pela localização de Bagé, dos povos que povoaram o sul do Rio Grande do Sul e que sofreram barbaridades dos povos das missões religiosas jesuíticas, ou mesmo dos fazendeiros gaúchos que escravizaram esses povos, para a pecuária extensiva – ou charqueado.
Me identifiquei, sou índio, carioca. Alias Karioca.
Acho que quem criou o mundo foi Tupã
E que os encantados de luz nos protegem e os cavalheiros de Aruanda percorrem as matas de Ororubá.
Meu povo reza, canta, dança a Deus, Tupã, Jesus, Encantados de luz, aos caboclos em transe que estão trabalhando.
Sou índio, negro, branco, brasileiro, Karioka,
Sou Renato Motta.

A origem? Bom, acho que tudo começou quando Tupã lançou um raio, de uma grande explosão surgiram sistemas, galáxias, e dali os planetas.
A Terra, foi uma particularidade, um planeta que era magma, e que tinha um grande caldo fervente. Dali surgiram os primeiros seres vivos – depois protozoários, etc, etc, etc que dali foram evoluindo para mutações, répteis, mamíferos, macacos, homos erectus, etc,etc, Nas eras paleozóicas, mesozóica, de milhões de anos atrás.
Hoje os encantados de luz nos protegem, como o Tupã, ou Deus, ou Ogum, ou Alá ou qualquer que seja. Essas energias e crenças que regem as diversas vidas deste planeta.
A mim, bom eu mesmo é que não quero ver a origem... Porque é uma explosão tremenda.
FIM

terça-feira, julho 23, 2002

Inspiração



E por que escrevi tudo isso? Ora, a razão é óbvia! Como já comentaram lá no Baticum, o Renato tá a cara dos caboclos lá das bandas de Pernambuco. Renato Tapuio, para os íntimos!

A partir da foto, lembrei de Monteiro Lobato e seu Jeca Tatu. Sem indiretas, viu, meu confrade? ;-)

Um Homem de Consciência



Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro.

Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor.

Mas João Teodoro acompanhava com aperto do coração o desaparecimento visível de sua Itaoca.

"Isto já foi muito melhor", dizia consigo. "Já teve três médicos bem bons - agora um e bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje mal dá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha Itaoca
está se acabando..."


João Teodoro entrou a incubar a idéia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto
ou arranjo possível.


"É isso", deliberou lá por dentro. "Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais nada de nada, então arrumo a trouxa e boto-me fora daqui."

Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado ele! Ele que não era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, se julgava
capaz de nada...


Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seríssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado - e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca!...

João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas. Pela madrugada botou-as num burro, montou seu cavalo magro e partiu.

- Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens?

- Vou-me embora - respondeu o retirante. - Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim.

- Mas, como? Agora que você está delegado?

- Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado eu não moro. Adeus.

E sumiu.

Monteiro Lobato,
Um homem de consciência,

In Cidades mortas, Brasiliense.