quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Recife do meu coração
(Beto)

Caminho na Aurora maurícia, de um luar irreparado, sonoro, molhado.
Te desejo.
Meu sorriso denuncia a alegria solitária.
O rio move-se.
O som que dele se desprende traz-me a lembrança do Isabel que não participei.
Seus aplausos, sua vida interior.
O Capibaribe é um rio pomposo,
De lamas escuras, cheirando ao olhar do Josué do mangue.

A expressão feliz caminha por minhas faces, que aos poucos vão se modificando,
Tonando-se já em saudades dos sonhos daquela noite clara,
Estrelada, noite sem igual.
Dobro a esquerda e já inverto as ruas da minha cidade.
Saudades tenho da visão anterior: poética, melancólica no sujo deixado,
Amorosa como o Bandeira a viu em seu olhar de saudades.

Sei de ti Recife de “a salto alto”, de meninos de pés descalços, meninos do deus Dará. Dará meu deus às luzes da noite bela para aqueles magrelas assubir ao colo Teu.

Despeço-me com meu olhar amarelo.
O Recife entrou e eu o guardei lá no cantinho quente do meu coração.
De luzes vermelhas, de pulsas veias, de vasculares teias arteriais.

Agora é hora.
Deixo-te a dormir no peito, ninando-te do melhor jeito no interior dessa imensidão.
Abrirei as portas pela manhã e ele sairá mais vivo do que nunca de um corpo que se Pergunta: por que de amar assim.

Amo-te Recife com todas as minhas forças e grito ao mundo o meu amor por ti.
Amor de lágrimas alegres e triste também ao te ver maltratada no descaso de alguém.
Alguém que muito diferente dos meus sentimentos
Não soube cuidar-te bem.
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